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" Achar que as pessoas ficam na nossa vida o tempo necessário para mudarem alguma coisa nela não é uma ideia nova, mas estrutura toda a minha filosofia de vida. Deixo-me envolver nessa imagem romântica, que acompanha a passagem das pessoas por mim e me conforta nas despedidas. Quem para mim foi importante, por um momento, mesmo que só por um momento, e partiu, seguindo o seu caminho como um rio que não se detém, nunca deixou de estar em mim, diluído naquilo que sou, no gesto distraído, na expressão do olhar, numa frase, num pensamento, num fragmento precioso da minha existência. Pode até parecer que esqueço, se não me volto para olhar para trás, mas para quê ficar a ver a neblina do destino engolir um sentimento se o que nele é essencial permanece dentro de mim? É vasta a minha colecção de pedrinhas coloridas, que foram amigos e amores e espelham recordações de ternura e de amargura, uma simbiose de risos e lágrimas que me preenche de uma doce nostalgia. Abraço-as, brinco com elas, puxo-lhes o lustro e devolvo-lhes o brilho de outrora... E é essa a minha forma de gostar, de sentir falta, de os ter perto de mim. Porque os sentimentos não se podem apertar nas mãos sem que nos escorreguem por entre os dedos, deixo-os correrem livremente em mim, reconcilio-me com o passado, com tudo aquilo que foi e com o que eu gostaria que tivesse sido. E, se alguém me magoou, eu perdoo. Se na atribulação do crescimento atropelei alguém, procuro abrir um pouco mais o meu coração para dar à vida o dobro do que tirei. Só assim encontro a minha Paz, libertando as amarras dos remorsos e das mágoas e partindo também eu, na minha viagem pela vida de mais alguém. E quem sabe, numa próxima encruzilhada, o destino me devolva um sentimento perdido... "

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