08 setembro, 2011




À sessenta anos atrás, um homem vendeu tudo o que tinha para arranjar os melhores médicos do país para que conseguissem salvar a mulher dele, uma mulher nova com menos de trinta anos. Tinham tido um bom casamento e eram felizes, com os quatro filhos pequenos que tinham. Mas imagem o país nessa altura: as deslocações entre cidades eram dificeis e a medicina ainda não tinha dado o salto necessário para conseguir fazer os diagnósticos mais correctos ou tirar as dores que as pessoas sentiam. A mulher tinha cancro, mas issos só se veio a descobrir anos depois. O amor que aquele homem sentia era tão grande e tão apaixonado que ele revirou o mundo dele para não perder a mulher. Ficou com dividas que lhe iriam custar o resto da vida em trabalhos, mas nunca desistiu.

A mulher acabou por falecer, deixando o homem com quatro filhos.

O homem voltou a casar, porque naquela altura era impossivel um homem criar quatro filhos, pequenos rapazes, e trabalhar ao mesmo tempo. A nova mulher sempre respeitou a memória da primeira esposa e nunca obrigou os rapazes a tratarem-na por mãe, nem se impôs como tal. O homem nunca deixou de andar com a fotografia da primeira mulher na carteira até ao dia em que morreu.

Esse homem era o meu avô paterno. Faleceu por esta altura à uns anos. Nunca conheci a minha avó e o meu pai quase não se lembra dela também. Este fim-de-semana a madrasta do meu pai apareceu em nossa casa com um presente para o meu pai: a fotografia da minha avó que o meu avô nunca deixou de usar na carteira. A minha avó era muito nova nessa fotografia, devia ter uns vinte e tais anos. Atrás tinha uma dedicatória que não conseguimos ler por completo, porque o meu avô a deve ter recortado para a colocar na carteira. Do que se podia ler "...para te lembrar...sempre tua.".

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