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Só eu sei o quanto me custou aquela semana e só eu sei o quanto chorei. Tinha os olhos com papos tão grandes que mal conseguia ver. Não queria tomar banho e não conseguia comer. Vomitava tudo. Não saí do quarto durante todo aquele tempo. Valeu-me a amiga que vivia comigo na altura.

Mas só eu sei o quanto me doeu saber que já não havia mais nenhum hipótese da história continuar, que o meu coração estava mesmo partido e que nem tempo nem espaço lhe voltariam a fazer bater. Bati com a cara no chão, com a cabeça na parede, espanquei a minha almofada. Destruí-me sozinha e plantei a ideia que não era suficiente para ele de um modo tão forte que nunca pensei que conseguisse superar. Não era suficientemente bonita, inteligente, crescida. Não era mulher suficiente para ele, não me dei suficientemente para que ele decidisse ficar comigo em vez de optar por ela.

Interiorizei toda aquela dor e toda a desilusão. Culpei-me a mim e a mim só. Porque estava tão apaixonada e tão cega que não consegui ver mais nada para além disso. Não o conseguia odiar nem tinha raiva dele. Não me conseguia zangar com ele, apenas comigo. Porque é isto que os manipuladores fazem: com que acreditemos que são puros de coração e que não erram. Que são boas pessoas e que nunca nos fizeram mal, por isso a culpa só podia ser minha.

Fugi dele. Distanciei-me mais de 300 km e durante muitos anos. Mas bastava apenas um olhar e lá voltava eu àquela semana: sem auto-estima, sem amor-próprio, sem confiança. Com o familiar sentimento que tinha de lhe provar alguma coisa que nem eu sabia o que era.



Foi preciso todo este tempo, horas de psicoterapia, de introspecção, de crescimento para eu perceber como estava errada. Que tenho mais de milhões de motivos para estar zangada com ele e para não o querer mais a assombrar o meu passado e o meu coração. Não fui eu que não fui suficientemente boa para ele. Fui demais para ele. Demasiado diferente, fora da zona de conforto dele. Ele é que foi demasiado fraco para mudar ou abdicar um pouco por mim. E passados estes anos todos, só agora, consigo dizer com todo o meu coração: quem ficou a perder foi ele. Todo o poder que ele tinha em mim só o tinha porque eu deixava. E não deixo mais. Fechei este capítulo na minha vida. FINALMENTE, estou tão mais leve.

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